terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Essa é a história chula, infame e mediocre de uma garota que não queria ser apenas uma garota previsível, ou imprevisívelmente previsível como as outras.
Uma garota que acreditava que prever não é bom o suficiente para se viver.
Não, ela não era uma drogada que vivia se fazendo e desfazendo, porque seu objetivo não é aparecer com o simples ato de desaparecer.
Acredita que simples é bom, não é rápido, apenas simples. Pode ser demorado, mas continua sendo simples, tranqüilo...do modo que deve ser mesmo não parecendo ser.
De um modo tão errado que chega a ser o certo a se fazer.

Essa foi a sua decisão.É sua decisão.Viver. Não uma vida normal daquelas que precisa de livro de auto-ajuda para não desconstruir o que você já tinha feito.

Ela sobe na chaminé da churrasqueira.
Ela senta e espera o céu colorir, espera a noite como se fosse a lua. Ela espera e pensa em como tudo que pensa vira um enorme e infinito céu de idéias e palavras estranhas.
Decidiu esvaziar e começar tudo outra vez e ver no que vai dar se ela simplismente deixar se levar e não mais andar.

como todas as garotas essa também vivia seus sonhos panacas e fúteis....que fique claro: não é uma faze. Puberdade não é faze. Puberdade é o momento. É a vez de tentar, de se fazer.

Ela gostava de alguém, ela queria abraçar esse alguém, ela queria dizer a esse alguém o quanto era importante prá ela. Mas ela se calava toda vez que sentia a mais remota presença do alguém.

Coisa de menina besta.
Aqui vai uma dica: Se quer, tente, o medo não vai te fazer bem, e não custa tentar, teste, aproveite e sinta o que te faz bem, mesmo fazendo mal.

Essa garota ouviu minha dica. não que fosse a melhor dica. Mas, as vezes resolve o caso.

Ela foi. Falou, o alguém ouviu e acreditou e beijou.
do jeito mais lindo que alguém pode beijar outro alguém.
Não vou usar a palavra 'perfeito' porque garotas não devem usar essa palavra chata que estraga qualquer história boa de se contar.

Acredite em mim. Eu não menti agora.
Me ouça e você vai saber o que eu falo e vai acreditar e vai me beijar do jeito lindo.
Vai sim.

domingo, 7 de dezembro de 2008


Meu quarto.
Não parece quarto, parece quadro.
É lá que a minha vida é feita. As paredes contam histórias antes de anoitecer. Pego no sono profundo como o mar, ao som das músicas que meu rádio banguela canta prá mim.
Uma cama de dois, grande e acolhedora como um floco de nuvem. Da janela lateral vejo o céu caindo sobre os telhados do meu aconchego, vejo a lua banhando os rostos das paredes; uns sorrindo outros comendo, poses esquisitas.

Em cada porta do meu guarda-roupa, uma estrela como as do céu, como olhos de tigre brilhando, zelando por mim.
Meu quarto é como um lago, um lago de livros, um lado de filmes, de música, de roupas, de pessoas. Um lago de contos; os meus contos. Um lago de encantos; os meus encantos. Um lago de tranqueiras; as minhas tranqueiras.

Meu quarto, meu parceiro de dança nos dias tediósos. Ligo o ventilador sujo em cima da mesinha de frente para o meu leito. Peço minha música favorita no CD e ele (o rádio) canta enquanto eu testo a gravidade em minha cama-elástica improvisada: a cama.
A cada pulo uma olhadela pela janela, eu vejo o sol subindo e descendo do muro da varanda.
Lá pelo meio da tarde, o sol bate em cheio no meu "guarda-roupanga", óptimo momento para ver a minha sombra dançar.

Meu quarto, meu cumplisse, meu segredo. Ele guarda o meu oculto. Meu diário vivo.
Debaixo da cama não tem monstro, não. Pelo contrário. Debaixo dela tem um Palude onde vivem Ondinas, as ninfas das águas. Há um Olmo, com o chão coberto por Petúnias.
Me deito e fico com os meus devaneios girando sobre mim.
Eu faço parte dele, ele é uma parte de mim, como se fosse água [ocupa 90 e tantos por cento do meu corpo, da minha mente, meu coração, minhas vontades.
Prá onde for carrego um pedaço dele comigo: uma foto, um CD, um livro ou mangá, o travesseiro, uma muda de roupa prá eu plantar em mim.
Jamais me esquecer, sempre me lembrar, a cada jesto meu, do meu refúgio, minha caixinha de bujingangas, meu quadro, meu quarto.
Minha colcha; minha concha..cada vez que entro nela, um novo sonho produzido, uma utopia confeccionada como pérolas.
Meus baús:minhas relíquias, não uso porém, não me desfaço. Apenas me apego.
São meus móveis os meus amigos; dou nomes, converso, troco idéias, dou bronca...
Meu cabideiro, uma figueira frutuosa. As toalhas coloridas são minha Aurora Boreal.